Terça-feira, 28 de Junho de 2011

Preocupam-me os velhos que se preocupam com os novos

Pela primeira vez desde que sou vivo e desde que Portugal vive em democracia, o Primeiro Ministro tem apenas mais 4 anos e vários Ministros e Secretários de Estado são mais novos do que eu. Há quem ache isso preocupante.
O líder agora segundo maior partido, agora na oposição será também mais novo do que eu, o que, pela mesma lógica democrática, deverá ser igualmente preocupante.
Se é verdade que por um lado sou eu que vou ficando mais velho, o que poderia ser preocupante se não fosse natural, também o é que eles são de facto novos. Um ministro com 38 anos para mim seria um puto se não fosse ministro. Chamo puto ao meu irmão que tem 40, menos três que eu.
Mas onde uns veem preocupação por motivos diversos, da pouca idade (quando há velhos tão novos e jovens tão velhos) à pouca experiência, para deixar de lado os aspectos de embirrações partidárias que se tornam ilógicos quando o "mal" abrange os dois lados da balança que nos tem oscilado, eu vejo uma "geração de Abril" (vai entre aspas que parece que só algumas pessoas é que podem usar a expressão sem aspas e eu não quero chatices com direitos de autor) finalmente a dar frutos. Uma geração que tem a sorte de não ter que viver com fantasmas do passado, que viveu já num Portugal livre e democrático. Uma geração do presente e, espera-se, de futuro.
Conheci o conceito antes da realidade, quando aprendi nas aulas de inglês o significado de "generation gap". Depois conheci-o, vi-o, venho observando esse choque de gerações, a incapacidade de nós adultos sequer tentarmos entender as crianças, quanto mais, depois, os jovens. Irrita-me a descrença nos jovens, a crítica constante, a incapacidade de lidar com tudo o que não entendemos e que como solução tentamos formatar às nossas regras.
Quando uma geração toma consciência de onde nos trouxeram e levam essas nossas regras, estas nossas gerações, actual e passadas e se recusam e seguir o mesmo caminho, a tradução do inglês "generation gap" para o português choque de gerações ganha toda nova lógica.
Está na moda a expressão "fora da caixa", pensar, agir... Estranho que a língua inglesa, tão profícua e quase sempre útil nisto de resumir conceitos em expressões de poucas palavras não tenha uma "generarion box" para esta cambada de velhos rabugentos incapazes de sequer ver, quanto mais aceitar estas (início de assobio) ventos de mudança (final do assobio melodioso antes que comece a cantar o senhor dos Scorpions).
Eu por mim estou farto de levar na cabeça por chatear os velhos da minha idade e até uns chavalecos trintões com os meus idealismos de que os os jovens de agora não são um caso perdido, nós é que somos, eles percebem, nós não. Por isso senhoras e senhores, ministra, ministros, secretárias e secretários de estado, senhor PM, senhor futuro líder da oposição, rapaziada em geral, façam-me lá o favor, todos, de mostrar ao cotas que eu é que estou certo e que a verdadeira preocupação deles é o medo das mudanças (para eu depois lhes poder explicar que isso é que é ser conservador, de direita ou de esquerda, é indiferente).
Obrigado.

publicado por joao moreira de sá às 09:21
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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

Durante quantos anos vão querer manter vivo o cadáver?

Quando passados quase 40 anos, leio (no twitter) que não se deve desejar a uma pessoa que se vai deitar, "bom descanso" porque a expressão é "do Estado Novo", fico com a sensação de que existe uma certa esquerda - porque curiosamente estes traumas sem sentido vêm muito mais de gente de esquerda do que de direita o que aparentemente seria normal mas não é - que lutou pela morte desse Estado Novo mas luta ainda por não deixar que se lhe faça o funeral.
Usei a expressão fazer o funeral e não enterrar para que fique claro (que não fica porque ao escrever isto estou como a Ana Gomes, com plena consciência de que quem tem medo de uma expressão como "bom descanso" vai ler aqui o fascismo que têm na cabeça, mas este blog tem o título que tem) que existe uma diferença entre apagar a memória de um passado e viver oprimido por ela 37 anos depois da sua morte. Que estas paranóias provenham de pessoas que se dizem de esquerda - um dos motivos porque eu prefiro não me dizer de lado nenhum, nem do centro, à cautela - parece-me ainda mais absurdo. Morreu mas guarda-se o cadáver em casa. Nos filmes. Freud não explica.
Para não dar importância a quem a não tem omito nomes mas o que leva uma alegrota pessoa que nem idade tem para ter memória sofrida da ditadura (deverei usar maiúscula?) a lutar por manter vivos estes traumas? De que serve? Manter vivo um medo de um regresso ao passado? A mim basta-me o trauma do presente.

publicado por joao moreira de sá às 11:12
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Arcebispo de Cantuária

Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 43 anos. Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever. jmoreiradesa@gmail.com

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