Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

Durante quantos anos vão querer manter vivo o cadáver?

Quando passados quase 40 anos, leio (no twitter) que não se deve desejar a uma pessoa que se vai deitar, "bom descanso" porque a expressão é "do Estado Novo", fico com a sensação de que existe uma certa esquerda - porque curiosamente estes traumas sem sentido vêm muito mais de gente de esquerda do que de direita o que aparentemente seria normal mas não é - que lutou pela morte desse Estado Novo mas luta ainda por não deixar que se lhe faça o funeral.
Usei a expressão fazer o funeral e não enterrar para que fique claro (que não fica porque ao escrever isto estou como a Ana Gomes, com plena consciência de que quem tem medo de uma expressão como "bom descanso" vai ler aqui o fascismo que têm na cabeça, mas este blog tem o título que tem) que existe uma diferença entre apagar a memória de um passado e viver oprimido por ela 37 anos depois da sua morte. Que estas paranóias provenham de pessoas que se dizem de esquerda - um dos motivos porque eu prefiro não me dizer de lado nenhum, nem do centro, à cautela - parece-me ainda mais absurdo. Morreu mas guarda-se o cadáver em casa. Nos filmes. Freud não explica.
Para não dar importância a quem a não tem omito nomes mas o que leva uma alegrota pessoa que nem idade tem para ter memória sofrida da ditadura (deverei usar maiúscula?) a lutar por manter vivos estes traumas? De que serve? Manter vivo um medo de um regresso ao passado? A mim basta-me o trauma do presente.

publicado por joao moreira de sá às 11:12
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Arcebispo de Cantuária

Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 43 anos. Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever. jmoreiradesa@gmail.com

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